terça-feira, 26 de junho de 2007

Cotas

Na próxima sexta 29, decisões e manifestações anti e pró cotas tomarão as cercanias da UFRGS. Entre tantas discussões possíveis, o barato será ver nos discursos o desmascarar dos racismos e, nos indiferentes, o descobrimento de que sempre foram racistas.

Abaixo, dois trechos de artigos de professores da UFRGS favoráveis as cotas e publicados no blog pró-cotas. Não há textos contrários as cotas porque seus argumentos são demasiado insustentáveis e positivamente racistas.

"Será que eles temem que a nossa generosa cordialidade racial não resista ao teste de uma equiparação da presença de negros e brancos na universidade? Será que esse patrimônio da nação que é o mito da democracia racial não serve sequer para sustentar uma nova disposição moral que exige e desafia que negros estejam tão imediatamente quanto possível convivendo com brancos em número razoável em nosso campus? Será que eles acham que brancos não conseguem conviver com indígenas a não ser na relação pesquisador- objeto? Mas então para que "raios" serve esse tal de mito da democracia racial que tanto insistem que preservemos? Porque acreditar em cordialidade racial se isso não é de forma alguma assimilável a idéia de enfrentamento solidário de um problema de desigualdade que deixa visível a ausência de negros nos campus? Será que temem que suas quimeras estejam se arruinando ao primeiro teste?" se raças não existem, é inegável que insistem! ( José Carlos dos Anjos - Dr. em Antropologia e Professor do Departamento de Sociologia IFCH/UFRGS)
"Em suas origens, meritocracia surge como alternativa ao status herdado pelo nascimento como critério para ocupação de postos públicos. Trata-se de substituir ascription por achievement, premiando a capacidade individual e não o berço na configuração da hierarquia social. A ironia é que vantagens adscritivas foram capazes de adaptar-se às novas regras impostas pela individualização das sociedades modernas, reconvertendo capital econômico e social familiar, em capital escolar (Bourdieu, 1989, Boltanski, 1982). Investindo, desde o ensino fundamental, na formação escolar de seus herdeiros, famílias bem providas asseguram sua continuidade no interior das instituições universitárias de maior prestígio e qualidade, que oferecem títulos e diplomas mais valorizados no mercado, reproduzindo hierarquias plutocráticas dissimuladas em capacidade intelectual individual." Mérito e cotas: dois lados da mesma moeda (André Marenco - Doutor em Ciência Política e Professor do Departamento de Política IFCH/UFRGS.)

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