"A gestão das florestas plantadas no Rio Grande do Sul, atualmente sob a responsabilidade da Secretaria do Meio Ambiente, pode ser transferida para a Secretaria da Agricultura e Abastecimento. A proposta foi feita pelo presidente da Ageflor, Roque Justen, ao secretário João Carlos Machado, que, em princípio, concordou com a idéia. (Ageflor é "Associação Gaúcha de Empresas Florestais", que tem entre seus associados, a Aracruz Celulose e a Votorantim. O secretário da Agricultura é ligado ao agronegócio. Passar as florestas do âmbito do meio-ambiente para a agricultura - neste governo, agronegócio -, por sugestão feita por uma rede capitalista de terrorismo ecológico é quase tão estranho quanto os interesses e demissões acontecidas recentemente na Fepam. Aracruz e Votorantim não tem interesse nesta mudança e na agilidade que ela traria para seus negócios? Aqui, leia-se, destruição do pampa gaúcho).
A entidade, junto com o Sindimadeira, está encaminhando o assunto junto à governadora Yeda Crusius e à secretária Vera Callegaro. – Queremos intensificar o planejamento da produção florestal gaúcha, por isso, entendemos que a pasta mais adequada para participar da organização da nossa cadeia produtiva é a Secretaria da Agricultura – explica Justen. – Seu local de origem é a Agricultura, que, afinal, é quem deve cuidar de toda espécie de plantio, inclusive o de árvores – acrescenta. (empresário do setor dando pitaco. Incrível é uma bióloga como a Vera Callegaro - ela é bióloga? Se for ou se não for, mostram que as escolhas da Governadora não foram "técnicas", mas sim ideológicas. Notem: "participar da organização da nossa cadeia produtiva..."). Em contato com Machado, o presidente da Ageflor também apresentou o Programa Floresta Indústria/RS e discorreu sobre a situação atual dos trabalhos do zoneamento ambiental da silvicultura no Rio Grande do Sul, que deve ser concluído em 60 dias. O secretário da Agricultura ficou bastante impressionado com os números projetados pelo setor. ("bastante impressionado"... ó a subjetividade, ó a subjetividade). – Com os portentosos investimentos confirmados para o Estado da Aracruz, da Stora Enso e da Votorantin, o incremento na área plantada deve ser de 300 mil hectares nos próximos sete a oito anos – destacou. (com os 300 mil hectares que estes já possuem, faltou informar. Ou seja, pulou pra 600 mil hectares). Com isso, a cadeia produtiva florestal gaúcha deve dobrar de tamanho nos próximos dez anos. (Dobrar os 3oo ou os 600 mil hectares?) A expectativa é, no mínimo, duplicar a participação no PIB (Produto Interno Bruto) estadual, saltando de R$ 3,6 bilhões hoje para R$ 7 bilhões. Machado aposta, porém, que seja possível alcançar R$ 10 bilhões em 2014, em virtude dos investimentos já em implantação no RS. Todos os números do setor serão duplicados em 10 anos. Os empregos passarão de 250 mil a 500 mil e a área florestal de 500 mil hectares explorada economicamente hoje subirá para 900 mil hectares. Atualmente presente em cerca de 300 municípios, a silvicultura será importante em pelo menos 400 municípios gaúchos. (Pena não haver história comparada na imprensa gorda. Extensos estudos no Exterior e no Brasil confirmam o que é de conhecimento até do mundo mineral: a agricultura familiar é a forma que mais gera empregos no campo, cerca de um por hectare. Ao contrário do que afirmam os serviçais do capital, o terrorismo verde gera 1 emprego a cada 185 hectares, ou seja, a monocultura, entre tantos males, é uma das responsáveis pela pobreza no campo, pelo êxodo rural, pelo inchaço de pobreza nas cidades e pela violência urbana, tendo em vista uma história de longa duração, tão em decadência na época do just-in-time.

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