quinta-feira, 1 de março de 2007

RS: o cu do mundo

Braço midiático do PRBS, o clicPRBS trás assustadora nota. CtRL + V: Gestão das florestas pode ser transferida para a Secretaria da Agricultura do RS - Objetivo da mudança é intensificar o planejamento da produção florestal "A gestão das florestas plantadas no Rio Grande do Sul, atualmente sob a responsabilidade da Secretaria do Meio Ambiente, pode ser transferida para a Secretaria da Agricultura e Abastecimento. A proposta foi feita pelo presidente da Ageflor, Roque Justen, ao secretário João Carlos Machado, que, em princípio, concordou com a idéia. (Ageflor é "Associação Gaúcha de Empresas Florestais", que tem entre seus associados, a Aracruz Celulose e a Votorantim. O secretário da Agricultura é ligado ao agronegócio. Passar as florestas do âmbito do meio-ambiente para a agricultura - neste governo, agronegócio -, por sugestão feita por uma rede capitalista de terrorismo ecológico é quase tão estranho quanto os interesses e demissões acontecidas recentemente na Fepam. Aracruz e Votorantim não tem interesse nesta mudança e na agilidade que ela traria para seus negócios? Aqui, leia-se, destruição do pampa gaúcho).

A entidade, junto com o Sindimadeira, está encaminhando o assunto junto à governadora Yeda Crusius e à secretária Vera Callegaro. – Queremos intensificar o planejamento da produção florestal gaúcha, por isso, entendemos que a pasta mais adequada para participar da organização da nossa cadeia produtiva é a Secretaria da Agricultura – explica Justen. – Seu local de origem é a Agricultura, que, afinal, é quem deve cuidar de toda espécie de plantio, inclusive o de árvores – acrescenta. (empresário do setor dando pitaco. Incrível é uma bióloga como a Vera Callegaro - ela é bióloga? Se for ou se não for, mostram que as escolhas da Governadora não foram "técnicas", mas sim ideológicas. Notem: "participar da organização da nossa cadeia produtiva..."). Em contato com Machado, o presidente da Ageflor também apresentou o Programa Floresta Indústria/RS e discorreu sobre a situação atual dos trabalhos do zoneamento ambiental da silvicultura no Rio Grande do Sul, que deve ser concluído em 60 dias. O secretário da Agricultura ficou bastante impressionado com os números projetados pelo setor. ("bastante impressionado"... ó a subjetividade, ó a subjetividade). – Com os portentosos investimentos confirmados para o Estado da Aracruz, da Stora Enso e da Votorantin, o incremento na área plantada deve ser de 300 mil hectares nos próximos sete a oito anos – destacou. (com os 300 mil hectares que estes já possuem, faltou informar. Ou seja, pulou pra 600 mil hectares). Com isso, a cadeia produtiva florestal gaúcha deve dobrar de tamanho nos próximos dez anos. (Dobrar os 3oo ou os 600 mil hectares?) A expectativa é, no mínimo, duplicar a participação no PIB (Produto Interno Bruto) estadual, saltando de R$ 3,6 bilhões hoje para R$ 7 bilhões. Machado aposta, porém, que seja possível alcançar R$ 10 bilhões em 2014, em virtude dos investimentos já em implantação no RS. Todos os números do setor serão duplicados em 10 anos. Os empregos passarão de 250 mil a 500 mil e a área florestal de 500 mil hectares explorada economicamente hoje subirá para 900 mil hectares. Atualmente presente em cerca de 300 municípios, a silvicultura será importante em pelo menos 400 municípios gaúchos. (Pena não haver história comparada na imprensa gorda. Extensos estudos no Exterior e no Brasil confirmam o que é de conhecimento até do mundo mineral: a agricultura familiar é a forma que mais gera empregos no campo, cerca de um por hectare. Ao contrário do que afirmam os serviçais do capital, o terrorismo verde gera 1 emprego a cada 185 hectares, ou seja, a monocultura, entre tantos males, é uma das responsáveis pela pobreza no campo, pelo êxodo rural, pelo inchaço de pobreza nas cidades e pela violência urbana, tendo em vista uma história de longa duração, tão em decadência na época do just-in-time.

Isso tudo ocorre já a algum tempo no Espírito Santo, vejamos um estudo de lá: " Um recente estudo sobre empregos realizado nas regiões de atuação da Aracruz no Estado do Espirito Santo aponta que a empresa, na época que buscava financiamento, afirmava que cada hectare de plantação de eucalipto geraria em média quatro empregos diretos, portanto, com seus 247 mil hectares plantados deveria gerar 988 mil empregos. No entanto, gerou apenas 2.031, segundo dados de 2004. As pesquisas indicam que desde 1989 até os dias de hoje esta empresa gigantesca gerou 8.807 postos de trabalho, dos quais 2.031 diretos e 6.776 indiretos. Chama a atenção que em 1989 os empregos diretos eram 6.058, duas vezes mais que hoje e que desde que se iniciou a contar os indiretos em 1997, o número passou de 3.706 para quase a metade." Hummm... Vejamos na Bahia: " Quando relacionamos investimentos com empregos gerados, percebemos que na planta da Bahia, para cada US$ 600 mil investidos, gera-se um emprego. Esta relação passa para US$ 3 milhões de dólares por emprego na fábrica "C", chegando a U$ 3,75 milhões de dólares por emprego na Veracel. Por outro lado, os dados no Brasil, indicam que o emprego rural custa US$ 2.900 e no comércio custa em torno de US$ 30.000 dólares." Hummm... E no querido vizinho Uruguai, tão disputado entre as empresas: " Segundo o censo agropecuário de 2000 do Uruguai, para cada 1 mil hectares, o número de trabalhadores permanentes no campo é de 4,49 no florestamento, 5,84 na criação de gado, 9,18 na ovinocultura, 10 no cultivo de cereais, 22 no tambo de leite, 128 na criação de suínos, 165 na viticultura e 262 na produção de autoconsumo." Hummm...).
– É uma nova alternativa que se abre aos agricultores, com um futuro bastante promissor pela frente – avalia Machado.". Na internet ou onde quer que seja as informações são abundantes. AQUI e AQUI dois pequenos exemplos, de onde foram tirados os dados, para o contraponto esquecido pelo PRBS.

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