
Algumas poucas palavras sobre eles: o de cartaz mais singular chama-se A Leste de Bucareste, realmente uma comédia, ainda que o tema sobre o qual falam não seja assim tão engraçado, a queda do comunismo (e não estou nem aí pra isso) e aquele tipo de entrada-com-tudo capitalista. Nisso, um âncora de um programa de televisão que antes era engenheiro, com a queda do comunismo vira dono dessa rede de TV (hummm, lembra-se nesta hora de casos semelhantes pela latino america) convida dois tipos engraçadíssimos para debaterem e chegarem a uma conclusão sobre se o que viveu o país foi ou não uma revolução. O ponto da discussão, numa enorme rede de possibilidades, se fixa na pergunta: havia alguma pessoa na praça central antes do meio-dia e oito? porque se havia, era uma revolução. Quando o ditador caiu fora do país a praça encheu-se mas isso não significou nada de revolução. Enfim..., é engraçado e muito semelhante ao mestre Lasier no seu Conversas Cruzadas Sem Foco Nenhum Que Não Seja Nosso Comprometimento de Classe.
Bastante mais denso é A Vida Secreta das Palavras. Bastante mais denso. Em linhas gerais é uma moça surda que nunca havia tirado férias da fábrica onde trabalhava (importante isso). Seu chefe lhe força a dar um tempo e ela com muito sofrimento desapega de seu mundo consolidado: seu apê, suas manias estranhas e tudo. Acaba indo parar como enfermeira de um operário numa plataforma de petróleo. E aí a coisa toda acontece: libertação, sua vida passada, sentimentos; um liberar geral, dele e dela. Enfim, o que fica: é um filme sobre os resquícios de guerra. Ela é sobrevivente do conflito dos balcãs, sobrevivente mesmo, seu relato do que viveu como refem é algo de sinistro, suas marcas no corpo e na alma...
O que passa sem ser dito, pouca gente nota e prova isso os risos idiotas da platéia: a moça conta seu passado, se liberta, vive quando sai do seu cotidiano da fábrica que, bem mostrado, com seus movimentos repetidos, ao mesmo tempo que lhe dá base para esquecer o passado, ter aquele tipo de segurança..., lhe interrompe os sentimentos, lhe tira a vida. Crítica linda.
Em um determinado momento meio à parte do filme, temos isso: é vergonhoso ser um sobrevivente, preferível era ter morrido...
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